Ao negar o acordo para a votação do projeto que reajusta os salários dos servidores do Tribunal de Justiça em 5% em julho, 5% em outubro e 1,59% em janeiro de 2012, a líder do governo, Miriam Marroni, cumpriu uma orientação do Palácio Piratini: ganhar tempo para tentar uma negociação com os outros poderes. Como a sessão de ontem foi a última de votação antes do recesso, o governo usará as férias de julho para tentar uma negociação com os outros poderes e frear uma enxurrada de projetos de reajuste.

O chefe da Casa Civil, Carlos Pestana, antecipa que o próprio governador Tarso Genro vai procurar os demais chefes de poder e de instituições que têm orçamento próprio para pedir compreensão. Tarso quer mostrar que as finanças do Estado não comportam correção salarial de 12% e que a aprovação desse índice para o Judiciário serviria de referência para outros pedidos de reajuste.

– Atrás do Judiciário, vêm o Tribunal de Contas, o Ministério Público, a Assembleia, a Defensoria, a Procuradoria e todas as categorias do Executivo – enumera Pestana.

Tarso dirá que reconhece a autonomia dos poderes, mas não tem como equilibrar as finanças sem os empréstimos que está negociando com BNDES e Banco Mundial. E que reajustes na faixa de 12% poderiam comprometer a análise da capacidade de endividamento do Estado.

Durante o recesso, os técnicos da Fazenda vão analisar o impacto dos reajustes no orçamento de cada instituição e verificar se todas comportam esse aumento de custos ou se há risco de pedirem suplementação antes do final do ano.

– Não há orçamento que aguente essa repercussão. O magistério, que tem direito a um piso garantido em lei, só teve 10,91% – compara Pestana.

ZERO HORA

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