Estado revê déficit e aponta queda de 40%

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Ainda assim, Piratini vai anunciar manutenção de cortes no 2º semestre 

O governo Tarso Genro entra no segundo semestre num cenário mais positivo em relação às finanças públicas: a previsão de déficit para 2011 recuou 40% – era de R$ 750 milhões em maio, agora é de R$ 450 milhões. No entanto, como ainda faltará dinheiro, o governo vai sustentar o discurso de aperto nos gastos. Em resumo, os secretários precisarão manter os cortes de custeio e a redução de investimentos.

As projeções serão apresentadas em reunião do primeiro escalão, na quarta-feira, pelo secretário da Fazenda, Odir Tonollier. A queda no déficit ocorre especialmente devido à aprovação na Assembleia, no final de junho, do programa de sustentabilidade financeira. O pacote incluiu limitações no pagamento de precatórios e aumento da contribuição previdenciária dos servidores, entre outras ações.

Secretário do Planejamento, João Motta afirma que a retração nos investimentos ainda é necessária. O orçamento deste ano, elaborado em 2010, prevê R$ 1,8 bilhão em investimentos. Até o mês de maio, a administração de Tarso havia aplicado R$ 154,5 milhões. Se continuar neste ritmo, vai investir R$ 370 milhões até o final do ano, o que corresponde a 21% da previsão.

– Mantemos o cuidado de reduzir o mínimo possível (de investimentos) em saúde, educação e segurança. A ideia é inclusive aumentar um pouquinho as despesas na saúde – diz Motta.

O economista Darcy Francisco Carvalho dos Santos afirma que é normal os governos investirem menos no primeiro ano:

– A administração anterior geralmente gasta mais no último ano. E a descontinuidade também provoca alguns entraves.

Motta lembra que cortes de custeio (despesas básicas, como telefone e energia elétrica) já entraram em vigor em todas as secretarias. Um técnico da Fazenda garante que existem condições de se chegar ao fim do ano com déficit zero. Mas, segundo ele, o Piratini prefere não alardear esta hipótese:

– É preciso vender dificuldades quando se está chegando no governo, até para segurar as pressões de categorias que pedem aumentos salariais.

Na quarta-feira, os técnicos-científicos têm uma reunião com o chefe da Casa Civil, Carlos Pestana. Eles exigem uma gratificação salarial.

Altos e baixos
MARÇO
Acompanhe a previsão da Fazenda em relação ao déficit, de acordo com as ações do governo nos últimos meses
– A Fazenda admite que o Estado voltou a sacar do caixa único para suprir o déficit, na época estimado em R$ 550 milhões até o final do ano. O caixa único é a superconta do Banrisul que centraliza recursos da administração direta e indireta.
INÍCIO DE JUNHO
– Com a aprovação do reajuste de 10,91% para o magistério, a previsão do déficit saltou para R$ 750 milhões. À época, o governo previa que a proposta feita ao magistério teria custo de R$ 334 milhões em 12 meses.
FINAL DE JUNHO
– O Piratini conseguiu aprovar um pacote com o objetivo de reduzir o desequilíbrio. Uma das alterações foi a criação de um limite para o pagamento dos pequenos precatórios. Com isso, a despesa anual com as RPVs baixou para R$ 300 milhões.
JULHO
– Nesta semana, o Piratini vai divulgar a redução na previsão do déficit. Dos R$ 750 milhões calculados em junho, o valor caiu para R$ 450 milhões.

 

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