A Imprensa tem um poder surpreendente. Com seu apoio, poderíamos mudar o quadro da segurança pública no Brasil.

Não queremos rechaçar o livre direito de expressão da imprensa no Brasil, pois assim estaríamos negando o nosso próprio direito de manifestação do pensamento. Mas na nossa visão, a Rede Globo tentou, mais uma vez, ‘potencializar’ os reais objetivos da greve de policiais no estado da Bahia.

Numa relativamente ampla reportagem exibida no Jornal Nacional desta quarta-feira (8), a emissora veiculou trechos de ligações telefônicas onde líderes do movimento “combinam a greve para prejudicar o Carnaval”. Ou seja, a greve só existe para barrar a festa baiana.

A notícia, da forma como foi veiculada, apresenta um misto de mentira (ou ‘equívoco’, no mínimo) e obviedade. Primeiro, a greve não existe por causa do Carnaval, e sim da recusa do governo em atender as reivindicações dos policiais. Pleitos atendidos, Carnaval garantido. Ou não?

Segundo, é claro que cruzar os braços, em qualquer categoria (não apenas nas polícias) interfere, inevitavelmente, na ‘qualidade’ dos serviços prestados. A diferença é que a importância do policial só é vistas nessas horas.

Greve de médicos não fecha escolas. A de policiais, sim. Greve de professores não pára taxis nem transporte coletivo. A de policiais, sim. Metalúrgicos, quando cruzam os braços, não resulta em cancelamento de shows e viagens. É o que está acontecendo na Bahia hoje e o que deverá ocorrer no Rio de Janeiro nos próximos dias, sendo esta, portanto, a preocupação da Rede Globo.

Não queremos, jamais, diminuir a importância de médicos, professores, metalúrgicos ou quem quer que seja. Mas convenhamos: nenhum movimento grevista é tão preocupante como o da segurança pública (pelo menos é o que se percebe). Por que não tratar os profissionais com a importância que sua falta significa?

Mais uma vez, a grande mídia opta por ‘atacar’ os policiais, em vez de fomentar um grande debate sobre como melhorar a segurança pública para o cidadão, com estrutura e salários condizentes com o ofício.

Do contrário, é amargar a certeza dos prejuízos ora contabilizados.

ParaibaemQAP

Deixe um comentário