Faltam bombeiros na Capital

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Defasagem em Porto Alegre e falta de equipamentos, no entanto, é compensada com qualificação e treinamentos

A população brasileira alcançou 193.946.886 de pessoas em 1˚ julho deste ano, segundo estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O Rio Grande do Sul é o quinto Estado mais populoso do país, com 10,7 milhões de pessoas. Porto Alegre tem 1.416.714 moradores e segue cotada como a 10ª cidade mais populosa do Brasil. Organismos internacionais preconizam que cidades com mais de 1 milhão de habitantes

sejam atendidas por, no mínimo, 810 bombeiros. O ideal seriam 1,2 bombeiro por mil habitantes, mas a capital gaúcha, no entanto, tem apenas 330, o que representa uma grande defasagem do Corpo de Bombeiros da Capital em relação a outras cidades pelo mundo. Em razão da população local, Porto Alegre precisaria ter 1,8 mil profissionais para atender as necessidades.

Em cidades com menos de 1 milhão, seria um bombeiro para 2 mil habitantes.

De acordo com o coordenador do Núcleo de Bombeiros da Associação dos Oficiais da Brigada Militar (AsOfBM), major Rodrigo Dutra, na Capital existem oito quartéis de bombeiros, sendo que o ideal seriam 13. Destas, apenas oito estações de combate a incêndio possuem caminhões para atender as ocorrências. “Seria preciso duas viaturas, sendo que uma serviria de reserva”, revela. “E estes caminhões são de 1997 e sujeitos a falhas. Cada vez que um quebra, a estação é fechada”, complementa. Conforme o oficial, a Capital conta apenas com duas escadas mecânicas (chamadas de aparatos aéreos), o que não é suficiente para atender as necessidades de uma grande cidade.

O major Dutra admite que uma dessas escadas está inoperante, pois foi instalada em um caminhão da década de 1980, vindo da Alemanha, e há dificuldades em encontrar peças para reposição. Apenasuma escada desse tipo, que chega a uma altura de 30 metros, está em operação desde 1996. Ele admite que caminhões equipados com escadas mecânicas que pudessem chegar a alturas acima de 60 metros não existem em Porto Alegre. “Para a Capital deveríamos ter quatro aparatos aéreos, pois com apenas um dificulta as ações nas edificações mais altas”, afirma.

Três escadas mecânicas e uma plataforma, que se ergueria acima de 60 metros seria o ideal”, descreve. Foi o caso do incêndio no Mercado Público. Com apenas uma escada, os bombeiros tiveram que reposicionar o equipamento por diversas vezes, atacando os flancos onde o fogo estava mais forte, até a chegada de equipamento vindo de Novo Hamburgo.

A certeza é de que os bombeiros têm uma ótima qualificação e um bom treinamento, que garante o sucesso das ações”, assegura Dutra, salientando que o treinamento do efetivo visa a superar as dificuldades e a falta de equipamentos. Também destaca a inclusão de 600 homens nos últimos anos, de maneira específica para a profissão, pois antes quem escolhia onde o novato seria lotado era a Brigada Militar.

De acordo com o coordenador-geral da Associação dos Bombeiros do RS (Abergs), Ubirajada Ramos, se fosse aplicado o Código de Trânsito Brasileiro (CTB), muitos caminhões não poderiam circular pelas ruas da Capital. “Muitos não têm cinto de segurança ou bancos”, denuncia.

Fonte e fotos: Correio do Povo

Postado por Comunicação DEE ASSTBM

No último incêndio do Mercado Público, na noite de 6 de julho, ficavam expostas diversas dificuldades no trabalho de combate ao fogo para os profissionais em Porto Alegre
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