Sinistro na Academia de Polícia Militar

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É preciso pensar bem sobre toda a extensão do atentado.

Não caía sobre Porto Alegre nenhuma tempestade na noite de segunda-feira última quando dez viaturas zero-quilômetro, que faziam parte de um lote de 200, todas estacionadas no pátio da Academia de Polícia Militar, incendiaram ou foram incendiadas. Em hipóteses sherlockianas, estão afastadas parcialmente as ideias de que um raio tenha provocado o sinistro ou de que a causa de tudo tenha sido um curto-circuito acidental em um dos carros. Na mesma esteira, também não é crível que um coquetel molotov tenha sido lançado contra a frota, pois o estrago também não teria a proporção que teve. Resta, pois, em primeiro plano, a hipótese de um atentado premeditado com método silencioso cujo objetivo até poderia ser de uma destruição maior. Portanto, a hipótese de “atentado’, levantada pelo próprio Piratini, já que o secretário da Segurança Pública Airton Michels chegou ao local calado e saiu sem nada falar, é uma obviedade. O mistério, evidentemente, recai sobre a autoria do crime. Na continuação, ao visualizar de minha torre a moldura em que se desenhou o sinistro, repito: sigam-me

Território da paz

Vou resumir a minha visualização: houve um tempo, não muito distante, que em que o ataque direto de um bandido contra um policial era impensável. Mas as organizações policiais enfraqueceram na medida em que os quadrilheiros se fortaleceram e os enfrentamentos começaram a acontecer no plano da ação e da reação. Na fase seguinte, os bandidos perderam o respeito pelo policial nas ruas e, na sequência, passaram a atacar viaturas, delegacias e postos. Nesse campo, os ataques maiores sempre foram contra os cidadãos civis que hoje são assaltados dentro de suas residências. Então, o incêndio das viaturas não se trata de um atentado isolado contra a Brigada, mas contra todos os cidadãos. Independente de quem praticou o crime, dizer que foi apenas um atentado contra a Brigada é minimizar a gravidade do clima de insegurança que a sociedade, por inteiro, vive neste momento. O governo da transversalidade gaúcha faz uma pregação messiânica sobre os chamados territórios da paz e tenho dito de minha torre que território da paz não pode ser instituído aqui e ali com bandeirinhas e bandeirolas em salas em tom lilás. Território da paz tem de ser o Rio Grande, incluso nele, por evidência, o pátio da Academia Militar de Polícia.

Fonte: Wanderley Soares wander.cs@terra.com.br

Jornal O Sul

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