Um divórcio litigioso

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Mais um tema para ser debatido depois do carnaval

Em todas as tribunas que tive, como cidadão e jornalista, sempre defendi – sem nunca ter sido original nem solitário nisso – que bombeiro não é policial e, mais ainda, que bombeiro não tem nenhum motivo para pertencer a uma instituição com hierarquia militar que, como se sabe, é vertical e inflexível, o que não casa com a sociedade civil. Imaginar um corpo de bombeiros moderno com paradas, continências, posição de sentido, coturnos com reflexo de espelho, distante de uma participação direta e superior da sociedade civil, especialmente da juventude, é, simplesmente, parar no tempo. Os bombeiros devem ser uma organização civil com a hierarquia das empresas civis. O ideal, inclusive, seria que toda a prefeitura tivesse um corpo de bombeiros treinado por técnicos dos governos estaduais. Técnicos, não necessariamente coronéis. Isso, em favor de toda a sociedade civil e, nunca, simplesmente, para satisfazer vaidades individuais e interesses de grupos isolados. Assim é que, aqui de minha torre, como um humilde marquês, como sempre, suplico: sigam-me

 

Divórcio

O projeto do Piratini que desenha a separação dos bombeiros da Brigada Militar, num prazo de cinco anos, é mais uma promessa escorregadia cujo embasamento, por ser escorregadio, não consigo alcançar. Digo isso à cavaleiro exatamente por ser favorável a tal divórcio. Numa fala direta, supondo que o poder, nos próximos quatro anos, permaneça no País com Dilma e, no Rio Grande, com Tarso, ainda assim apostar pacificamente nessa desunião seria uma temeridade. Esse divórcio tramitará litigioso em nível nacional e, na metade do caminho, as partes envolvidas poderão decidir em suas camas manter a aliança, independente dos interesses da sociedade. Aqui mesmo, no Rio Grande, pela experiência que me foi dada por uma longa e empoeirada estrada, posso dizer que as vozes que brotaram da própria Brigada Militar sobre as carências assustadoras do Corpo de Bombeiros, amordaçadas pela hierarquia vertical, irão silenciar. Em assim sendo, esse tema poderá ser debatido com mais transparência depois do carnaval ou depois da Copa ou, até mesmo, depois das eleições ou, quem sabe, depois de um grande e imprevisível incêndio.

Fonte: Wanderley Soares – wander.cs@terra.com.br

Jornal O Sul

Postado por Comunicação DEE ASSTBM

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