Sinal vermelho para o IPE-Saúde

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Está nas mãos do presidente da Assembleia, Gilmar Sossella, e da diretoria do Instituto de Previdência do Estado um documento de 161 páginas que traça um cenário assustador para o futuro do plano de saúde dos servidores públicos estaduais. Síntese da inspeção extraordinária nº 9077-0200/12-0 do TCE-RS, que vasculhou as entranhas do IPE-Saúde, o relatório fornece valiosos subsídios para os deputados que, nos próximos dias, apreciarão projetos prevendo a inclusão de novos dependentes.

A partir dos dados levantados sobre a situação financeira do IPE-Saúde, as previsões de arrecadação e o perfil dos beneficiários, os auditores do TCE traçaram dois quadros. Um, chamado de “cenário de referência”, mostra que, se receitas e despesas crescerem na mesma média dos últimos nove anos, o déficit deste ano será de R$ 98,7 milhões e crescerá ano a ano até chegar a R$ 879 milhões em 2023. Este é o cenário otimista e considera as contribuições dos segurados e do governo nos percentuais de hoje, sem mudança no perfil dos gastos com a assistência médica.

No cenário pessimista, o déficit real vai a R$ 117,2 milhões neste ano e chega a R$ 1,3 bilhão em 2023. Em nenhuma das duas simulações está calculado o impacto da eventual inclusão de pai e mãe como dependentes do plano, prevista em um projeto do deputado Paulo Odone (PPS) e em outro encaminhado pelo governo.

Para chegar à previsão de um déficit superior a R$ 1 bilhão nos próximos 10 anos os técnicos trabalharam com o que chamam de “eventos incertos”. Essas variáveis reduziriam a receita pelo aumento da evasão de segurados com salários mais altos e elevariam as despesas pela recomposição dos valores pagos a médicos e prestadores de serviços e pelo envelhecimento da população acima da média dos últimos anos.

O relatório deverá servir de subsídio na elaboração dos planos de governo dos candidatos ao Piratini. Os números mostram que a sobrevivência do plano de saúde que hoje atende a cerca de 1 milhão de servidores públicos e seus dependentes só será possível com reformas que aumentem a receita e reduzam as despesas.

 

ROSANE DE OLIVEIRA

Jornal Zero Hora de 22 março 2014

Postado por Comunicação DEE ASSTBM

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