Ministro da Justiça diz não temer paralisação de policiais

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cardozoCategoria cobra do governo federal melhorias nas condições de trabalho e também uma política nacional de segurança

BRASÍLIA – BRASÍLIA – Polícias de várias partes do país programam fazer uma paralisação na quarta-feira. O movimento, organizado por associações que representam policiais civis, militares, federais e rodoviários federais, cobra do governo federal melhorias nas condições de trabalho e também uma “política nacional de segurança voltada para defender os cidadãos”. Os policiais virão para Brasília, onde haverá uma passeata até o Ministério da Justiça, a Praça dos Três Poderes, ou os dois lugares. O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, disse não temer que a paralisação programada para quarta-feira fortaleça um movimento grevista. Ele destacou que o Supremo Tribunal Federal (STF) vem proibindo o direito de greve às polícias, sejam elas militares ou civis.

– Qual é a lógica: força armada, seja ela de natureza policial ou militar, não pode fazer greve. Houve dúvida por um tempo, mas esse entendimento do Supremo está cada vez mais sacramentado. E tenho absoluta certeza de que policiais que honraram e honram a Constituição, juraram obedecê-la, não irão desrespeitá-la nem prejudicar o seu país num momento tão importante para os brasileiros como a Copa do Mundo – disse Cardozo.

Na quarta-feira passada, o Superior Tribunal Justiça (STJ) concedeu liminar, para evitar greve da Polícia Federal em todo o país durante a Copa do Mundo, considerando esses movimentos como ilegais. O tribunal determinou o pagamento de multa diária de R$ 200 mil em caso de descumprimento da liminar. Cardozo rebateu hoje o argumento de que os policiais não foram treinados de maneira adequada para trabalhar na Copa.

– Estamos fazendo treinamento sim, buscando com os estados a melhor capacitação possível. Evidentemente, especialmente quando tem conflitos corporativos, alguns vão tentar fazer as críticas que julgam pertinentes, mas nós estamos preparados sim para a Copa do Mundo – afirmou o ministro.

A paralisação foi anunciada na semana passada. Uma das associações de classe que a organizam é a Confederação Brasileira de Trabalhadores Policiais Civis (Cobrapol), que ainda está contabilizando quantas associações aderiram ao movimento. O balanço deve ficar pronto ainda hoje. No começo da semana passada, a Cobrapol informou que, no caso da polícia civil, os estados da Bahia, Pará e Santa Catarina já tinham feito assembleias aprovando a paralisação.

Também organizam o movimento a Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef), a Federação Nacional dos Policiais Rodoviários Federais (Fenaprf), o Sindicato dos Policiais Federais no Distrito Federal (Sindipol-DF), o Sindicato dos Policiais Civis do Distrito Federal (Sinpol-DF) e a Federação Nacional de Entidades de Oficiais Militares Estaduais (Feneme).

A Associação dos Delegados de Polícia Civil do Brasil (Adepol do Brasil) não participa do movimento. Mas seu presidente, Paulo Roberto D’Almeida, disse que vai monitorá-lo.

– Vamos acompanhar esse movimento. Agora nossa estratégia é de acompanhamento de projetos no Congresso. Estamos tentando negociar junto com a Presidência da República, o Ministério da Justiça e parlamentares projetos de interesse – disse Paulo Roberto.

Índices de violência

No sábado, a Cobrapol divulgou um panfleto intitulado “A segurança pública pede socorro”, elaborado em conjunto com as outras associações de classe. As entidades destacam os altos índices de violência do país, como a taxa de 27,4 morte para cada grupo de 100 mil pessoas. Reclamam também do baixo efetivo policial, ressaltam que apenas 8% dos crimes têm solução, dizem que a maioria dos policiais não recebeu treinamento adequado para trabalhar na Copa do Mundo e que as lideranças policiais sofrem perseguições constantes por parte do governo. “Libertem o Prisco!”, pede o panfleto, em referência ao vereador Marco Prisco , líder do movimento grevista da PM baiana, preso na penitenciária da Papuda, em Brasília.

“De 2008 a 2011, o Brasil teve quase o mesmo número de assassinatos, que as vítimas dos 62 maiores conflitos do planeta nos últimos quatro anos”, informou o panfleto. As entidades defendem ainda que “o atual modelo de polícia precisa ser modernizado” e que “o governo federal não tem cumprido seus planos de governo e tem diminuído os investimentos na segurança pública”.

Fonte: O GLOBO