Defasagem de efetivo é de até 40% na Brigada Militar

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BM tem enfrentado defesagem de efetivo | Foto: André Ávila
BM tem enfrentado defesagem de efetivo | Foto: André Ávila

Entidades reclamam ainda de falta de manutenção das viaturas e equipamentos adequados

A declaração de um dos integrantes do alto escalão da Brigada Militar justificando a falta de policiamento em evento realizado em espaço público na noite de sábado reflete o cenário atual enfrentado pela população e pela corporação. Em um grupo oficial do 9º Batalhão no WhatsApp, o comandante tenente-coronel Francisco Vieira sugeriu que o Batman fosse chamado para coibir assaltos durante a Serenata Iluminada, no Parque da Redenção. Posteriormente, Vieira disse que o registro de ocorrências deveria ser feito pelo número 190.

A defasagem de pessoal na Brigada Militar tem registrado média de 32% até 40% nos últimos 15 anos. Segundo o subcomandante da BM, coronel Paulo Stocker, apesar da dessa falta há o problema da reposição não ser contínua. “Não é um processo ágil, uma vez que há vários processos de seleção e, após a aprovação, ainda é necessário passar por quase 10 meses na academia antes de ir atuar na rua”, explicou.

Ele recordou ainda o fato de que há no momento uma suspensão de novas contratações, diante da situação financeira do Estado, mas que, mesmo assim, os indicadores de violência estão estáveis. “A defasagem de pessoal não é um problema recente, mas que vem se perpetuando nos últimos anos”, destacou. A BM realizou recentemente concurso público e há aprovados aguardando a nomeação.

No sentido de otimizar da equipe existente, o subcomandante da BM explicou que estão sendo utilizados programas de gerenciamento de metas. Esse processo permite, entre outras coisas, a troca de informações e antecipação de tendências. “É uma maneira de combate à criminalidade. Por exemplo, no momento que identificamos que há uma tendência maior de assalto num determinado bairro da cidade, podemos deslocar um efetivo maior para aquele ponto, sem abandonar o restante da cidade”, destaca o subcomandante.

Atendimento do 190 gera discussão

Desde o ano passado, como uma das ações para a Copa do Mundo, o governo do Estado passou o atendimento do 190 para a Secretaria de Segurança Pública (SSP) visando ampliar a integração entre os órgãos de segurança. Para o presidente da Associação dos Oficiais da Brigada Militar (ASOFBM), coronel Marcelo Gomes Frota, a estrutura se aplica para grandes eventos ou situações mais específicas, e não para o cotidiano. “O despacho das viaturas é feito pela SSP. O batalhão não tem mais o controle sobre as guarnições, porque a prioridade das situações também é definida pela secretaria”, explicou Frota.

O presidente da Associação Beneficente Antônio Mendes Filho (ABAMF), Leonel Lucas, também acredita que a estrutura deveria voltar a ser incorporada à BM. “A região Central é uma das mais complicadas. Tem criminosos que já foram presos mais de 90 vezes e, muitas vezes, eles saem mais rápido da área judiciária do que o policial que atendeu a ocorrência”, afirma.

A falta de efetivo é um dos principais problemas enfrentados pelas guarnições. Atualmente, são cerca de 21 mil policiais militares, enquanto o número necessário seria de 37 mil. “O efetivo considerado ideal já está defasado, pois é uma determinação de 1997”, informou Frota.

Segundo o representante da ASOFBM, nos quatro primeiros meses deste ano, 850 entre policiais militares e bombeiros foram para a reserva. Esse total normalmente é a média de aposentados em 1 ano inteiro. A justificativa seria a sobrecarga de trabalho, o não pagamento de horas extras e abono do incentivo à permanência.

“A situação da Brigada está cada vez pior. Com ameaças frequentes do não pagamento dos salários, os servidores já estão desanimados. Se for fazer economia com segurança pública, estamos correndo risco de perder vidas ali na frente”, disse o presidente da Sargentos, Subtenentes e Tenentes da Brigada Militar (ASSTBM), Aparício Santellano.

As entidades reclamam também da falta de manutenção das viaturas, combustível insuficiente e falta de equipamento adequado. “Há coletes à prova de balas vencidos, temos carros 1.0 e revólver 38, enquanto os criminosos andam com carros potentes e metralhadoras”, aponta Lucas. “A população cobra dos policiais e acaba não compreendendo o problema, pois paga imposto e tem direito à segurança”.

CORREIO DO POVO