Cerca de 600 servidores estiveram presentes no Teatro Dante Barone | Foto: Bibiana Borba / Rádio Guaíba / CP
Cerca de 600 servidores estiveram presentes no Teatro Dante Barone | Foto: Bibiana Borba / Rádio Guaíba / CP

As entidades de classe da segurança pública deixaram a audiência pública, realizada na manhã desta quinta-feira na Assembleia Legislativa, em Porto Alegre, com uma única certeza: a realização de uma grande marcha conjunta no dia 7 de julho até o Palácio Piratini em protesto contra o que chamam de descaso do governo com a área. Coordenada pelo deputado Nelsinho Metalúrgico (PT), presidente da Comissão de Segurança e Serviços Públicos, a reunião não teve a aguardada participação do secretário estadual da Segurança Pública do Estado, Wantuir Jacini, cujo nome acabou sendo até vaiado. Cerca de 600 servidores estiveram presentes no Teatro Dante Barone, sendo registradas manifestações de protesto e gritos de “chamem o Batman”, O secretário Wantuir Jacini, o comandante-geral da Brigada Militar, coronel Alfeu Freitas, e o Chefe de Polícia Civil, delegado Guilherme Wondracek, alegaram outros compromissos marcados e enviaram representantes, acirrando os ânimos entre os servidores.

O deputado Nelsinho Metalúrgico fez um alerta sobre a grave situação do setor. “Não se pode economizar em segurança pública”, advertiu, acrescentando que o governo ainda não apresentou, de modo concreto, uma estratégia e um plano de trabalho, para a área. “Não disse como vão atingir as modestas metas anunciadas”, lembrou. Lamentando o que chamou de “silêncio do governo” diante da crescente sensação de insegurança, o deputado Nelsinho Metalúrgico esperava propostas concretas para enfrentar, por exemplo, as altas taxas de crimes, como homicídios, roubos a bancos, furtos e roubos de automóveis, entre outros.

Na audiência pública, as entidades de classe foram unânimes em apontar os principais problemas da segurança pública, como a falta de pessoal, a não nomeação dos concursados, o corte de horas extras e diárias, além de rejeitarem fortemente a aprovação do projeto de lei complementar 206 que suspende os reajustes parcelados das categorias até 2018. O presidente da Associação dos Policiais Militares do Estado do Rio Grande do Sul (APM-RS), Dalvani Albarello, espera que a matéria não seja aprovada pelos deputados quando for à votação. “Somos contra também o corte ao incentivo de permanência”, ressaltou, preocupada com o quadro instaurado na BM.

Para o vice-presidente da Ugeirm Sindicato, Fábio Castro, que representa escrivães, inspetores e investigadores da Polícia Civil, o projeto de lei complementar 206 acaba com as conquistas e inviabiliza qualquer reajuste para os próximos anos. Na avaliação do dirigente, a prestação de um bom serviço à sociedade está sendo inviabilizada pelo contingenciamento determinado pelo governo.

Já o presidente da Abamf, Leonel Lucas, que representa os servidores de nível médio da Brigada Militar, manifestou temor pela piora da atual situação. Conforme o dirigente, o governo precisa priorizar a segurança pública antes que seja tarde e a criminalidade aumente ainda mais. Por sua vez, o presidente da ASSTBM, Aparício Santellano, representantes de sargentos e subtenentes da BM, denunciou o desmonte da área e ataque aos direitos dos servidores. “Esperamos que a Assembleia Legislativa fique do lado da segurança pública”, declarou.

O presidente da Amapergs Sindicato, Flávio Berneira, condenou os projetos e medidas do governo para o setor, destacando o desequilíbrio no sistema prisional com o aumento do número de detentos e a falta de pessoal e também de novos estabelecimentos penais.

Representante dos 650 aprovados no concurso da Polícia Civil, André Gonçalves defendeu a urgência na convocação dos concursados. “Queremos um secretário que defenda a segurança e não que diga amém a tudo que o governador diga”, desabafou.

Correio do Povo