Brigadianos reagem ao discurso de Paladini

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Policiais postaram fotos no Facebook como protesto ao discurso polêmico do vereador, que chamou os militares de “bandidos de farda” após ser detido por desacato

Por: Leandro Lopes

“Não sou bandido” foi a frase utilizada no protesto dos brigadianos (Foto: Reprodução/Facebook)

O discurso polêmico do vereador Vitor Paladini (PMDB), que chamou os policiais de “bandidos de farda” após ser detido por desacato junto com sua companheira no último domingo (19), gerou reação dos policiais militares. Eles utilizaram as redes sociais nos últimos dias para protestar contra o parlamentar.

Agentes, brigadianos e apoiadores da causa postaram fotos com a frase “não sou bandido”. As imagens tiveram grande repercussão e contam com o apoio de muitos internautas.

Há seis anos na Brigada Militar (BM), o soldado Kesler Pereira – que atua no policiamento comunitário – estava na ocorrência em que o vereador foi detido. O policial conta que a guarnição foi ofendida por Vitor Paladini durante a ação no bairro Fragata. “Fomos destratados e ofendidos por uma pessoa que, no momento do fato, usou seu cargo politico para nos intimidar”, afirma. Kesler garante ainda que o parlamentar fez ameaças aos brigadianos. “Fui ameaçado de ser transferido de minha unidade, pois o senhor vereador nos dizia que nossa atitude renderia transferência.”

Triste com o ocorrido, o soldado diz que não é fácil lidar com a situação. “Sou trabalhador. Arrisco minha vida por pessoas que nem conheço. Esse ano já participei de duas ocorrências onde atiraram contra nós e por sorte não morri em serviço. Aí sou chamado de ‘morto de fome’, ‘corrupto’ e ‘chinelo’. É bem difícil.”

Apesar da tristeza gerada pelas ofensas, o soldado revela que o sentimento que fica é o de dever cumprido. “Não deixamos o mal prevalecer. Fizemos nosso trabalho bem feito sem olhar a posição social nem financeira dos envolvidos”, desabafa.

O fato
Em coletiva de imprensa, na sede da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Pelotas, o vereador – que é irmão do deputado estadual Catarina Paladini (PSB) – diz que ele e a companheira, a advogada Ângela Souza e Silva, receberam a acusação de desacato e foram algemados e conduzidos à viatura. O político ainda acusa os policiais de agressão e de terem arrancado a identificação da OAB de suas mãos.

O soldado Kesler, no entanto, tem outra versão: “A reação dos colegas que faziam a segurança externa, diante das ofensas e tentativa por parte dos advogados de invadirem um local de crime isolado, foi primeiramente orientar. Como as ofensas e xingamentos seguiram, foi dada voz de prisão por desacato.”

Segundo o brigadiano, o procedimento realizado foi o padrão. “A lei foi feita para todos, médicos, agricultores, desempregados e políticos”, finaliza.

Mandado
Uma das discussões mais ferrenhas nas redes sociais em função da ocorrência é sobre a necessidade de um mandado de busca para que os brigadianos pudessem entrar na residência, na rua Almirante Landin. Kesler aproveita para explicar que a ação da BM foi legal. “Foi uma ocorrência de tráfico. Crime permanente não necessita de mandado judicial para adentrar no local”, diz.

Na operação foram apreendidas 23 pedras de crack, 32 papelotes de cocaína, 50 gramas de maconha e uma balança de precisão. Uma pessoa foi presa por tráfico de drogas.

Nota
O presidente da Associação de Cabos e Soldados de Pelotas, Neimar Oliveira, diz que a declaração do parlamentar foi “infeliz”. Segundo ele, a BM tem o dever de defender o estado de direito. “A população clama por segurança e os policiais fizeram o papel deles, que é dar segurança à sociedade”, afirma. A hipótese de um protesto não foi descartada.

O comandante geral da Brigada Militar, coronel Alfeu Freitas Moreira, emitiu nota sobre o episódio envolvendo os servidores da BM e o político. Confira:

A ação da Brigada Militar se reveste de materialidade uma vez que foi constatada a presença de drogas na residência situada na rua Almirante Landin, bairro Fragata, o que configura crime permanente e exclui a necessidade de mandado judicial;

Segundo o registro da ocorrência, o vereador Vitor Paladini e sua esposa, como representantes dos acusados interferiram na ação dos brigadianos, fato que está sendo apurado pelo Comando local acompanhado pela Corregedoria;

O Comando da BM informa que todo e qualquer erro ou exagero que possa ter sido cometido por ambos(sic) as partes serão apurados e responsabilizados os seus autores.”

Coronel Alfeu Freitas Moreira
Comandante-geral da Brigada Militar

Soldado Kesler e a esposa trabalham na BM há mais de seis anos (Foto: Reprodução/Facebook) (Foto: )
Soldado Kesler e a esposa trabalham na BM há mais de seis anos (Foto: Reprodução/Facebook)
 

 

 

 

 

Soldado Filipe Andrade foi um dos precursores da campanha na internet (Foto: Reprodução/Facebook) (Foto: )
Soldado Filipe Andrade foi um dos precursores da campanha na internet (Foto: Reprodução/Facebook)
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