Depois de protestos, serviços devem ser normalizados em Santa Maria

40
Foto: Germano Rorato / Agencia RBS
Foto: Germano Rorato / Agencia RBS

Algumas instituições devem voltar à rotina. Entretanto, outras seguem com paralisação

Depois das manifestações que tomaram conta de ruas de Santa Maria logo no início da semana, a expectativa agora é de como seguirão os protestos dos servidores estaduais. Agente penitenciários e bombeiros deve retornar ao trabalho normalmente nos próximos dias. Na tarde desta segunda-feira, cerca de 1,2 mil manifestantes se reuniram na Praça Saldanha Marinho em resposta ao parcelamento dos salários anunciado na semana passada pelo governador José Ivo Sartori. Confira como foi o dia de manifestações em Santa Mariaclicando aqui.

Serviços como transferências de presos e escoltas para audiências, bem como atendimento psicológico e técnico (advogados), serão retomados, conforme o coordenador regional do Sindicato dos Servidores Penitenciários, Fernando Frey.

– Fizemos essa manifestação pelo tratamento que recebemos do Sartori. Estamos cansados de trabalhar sem ter o mínimo de condições, mas, mesmo assim, não deixamos de trabalhar.

No 4º Comando Regional de Bombeiros (CRB), onde apenas casos de urgência e emergência foram atendidos nesta segunda-feira, os serviços que estavam suspensos, como vistorias e emissão de alvarás, serão regularizados, de acordo com o coordenador regional da Associação dos Bombeiros (Abergs), Cleiton da Cruz.

A situação da segurança pública, no entanto, deve ficar complicada nos próximos dias. Associações sindicais que representam policiais militares e civis recomendam que os servidores continuem paralisados. Além disso, na quarta-feira será realizada uma assembleia na Praça Saldanha Marinho e, com isso, novas paralisações devem acontecer.

Na Polícia Civil, as associação dos delegados (Asdep) e o Sindicato dos Escrivães, Inspetores e Investigadores (Ugeirm) recomendam que apenas 30% dos servidores mantenham o serviço. Com isso, investigações estão paralisadas e apenas casos graves, como homicídios, estupros e crimes contra crianças, adolescentes e mulheres serão registrados na Delegacia de Polícia de Pronto-Atendimento, na Rua dos Andradas. 

Na Brigada Militar, a orientação da Associação dos Servidores de Nível Médio da BM (Abamf), é de que os policiais continuem apontando problemas em viaturas, possíveis abalos psicológicos e doem sangue, já que assim, precisam ser liberados por 24 horas.

– Enquanto houver problemas, dentro da legalidade, vamos paralisar. Pedimos que a sociedade nos apoie, porque a culpa não é nossa, é do governo – afirma o coordenador regional da Abamf, João Corrêa.

O comandante do Comando Regional de Polícia Ostensva Central (CRPO), coronel Worney Mendonça, admite que no fim de semana houve um grande número de viaturas paradas, casos de policiais que alegaram problemas psicológicos para não ir trabalhar, além daqueles que doaram sangue e precisaram ser liberados. Apesar das baixas, o comandante garante que o número de policiais é suficiente para manter o policiamento.

– Sem dúvida, é um momento desconfortável para a BM, que não é uma instituição acostumada com este tipo de movimento, mas é um momento em que temos que ter compreensão. Afetou toda a instituição, em especial os praças. É uma profissão já de estresse no seu dia a dia. E com essa questão de parcelamento, que afeta a vida particular dos policiais, mas tem consequência na vida profissional – ressalta Worney.

O comandante diz que, apesar das baixas, o número de policiais é suficiente para manter o policiamento. Com relação à nota emitida pela Abamf, de que a população não saísse às ruas por não haver garantia de segurança, o coronel afirmou que, no momento que sentir que não tem como garantir isso, ele mesmo fará esse comunicado.

Entre os professores, a orientação do Cpers é de que as escolas estaduais reduzam os períodos de aulas. A definição fica por parte de cada escola. A titular da 8ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE), Iara Druzian, estava em reunião e foi contatada pela reportagem por e-mail, mas não deu retorno.

Paralisação na praça

Apesar de algumas entidades voltarem à normalidade e algumas continuarem com a paralisação, para quarta-feira está prevista uma nova parada geral. O ato público está marcado para as 14h na Praça Saldanha Marinho e foi chamado pela Coordenação Estadual Unificada dos Servidores Públicos. Na próxima quinta-feira, dia 13, deve ocorrer nova manifestação na praça, também às 14h. Uma definição deve acontecer somente no dia 18, quando os servidores estaduais, em assembleia na Capital, definem se entram em greve.

ZERO HORA