Sargento some sem deixar vestígios

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FGTRCarro do policial militar foi localizado crivado de balas. No entanto, nenhum corpo foi encontrado

O mistério no desaparecimento do sargento Carlos Alberto de Oliveira Chiobatto, da Brigada Militar, mobilizou mais de 40 PMs ontem, em Gravataí. Utilizando uma aeronave, cães farejadores e barco, os colegas de farda de Chiobatto começaram as buscas ao amanhecer. A BM encerrou as buscas no início da noite de ontem. Segundo a corporação, elas serão retomadas na manhã desta segunda-feira. No final da madrugada, a BM foi verificar a ocorrência de um tiroteio no bairro Vila Rica, em Gravataí, quase na divisa com Cachoeirinha. Ao chegarem no local, os PMs encontraram um Fiat Uno com a lataria crivada de balas. Dentro do veículo havia uma camiseta com o nome do policial, que atua no canil do 17˚ BPM. Logo depois, foi confirmado que o automóvel pertencia a Chiobatto. Diversas cápsulas de calibres 380, 40 e 9 milímetros estavam próximas ao veículo. Todos os vidros do Uno estavam estilhaçados. A partir das 6h30min, começaram as buscas. Como o veículo estava próximo a um valão, a procura também ocorreu no córrego. “As informações são muito desencontradas. Em princípio, ele estava sozinho. Não sabemos o motivo de ele estar no bairro”, disse o capitão Rodrigo Assis Brasil, chefe do Setor de Inteligência do 17˚ BPM. “Ele saiu do serviço no sábado e não voltou para casa”, relatou. Segundo o capitão, não foram encontradas marcas de sangue dentro do Fiat. A informação de que Chiobatto estaria em uma festa no bairro, na madrugada de ontem, não foi confirmada. BUSCAS. Dezenas de PMs passaram o dia inteiro às margens do valão. Equipes da Polícia Civil, do Grupamento de Busca e Salvamento (GBS), do Corpo de Bombeiros e da Agência Regional de Inteligência da BM atuaram na operação. Com um barco, integrantes do GBS vasculharam a água, tentando encontrar algum indício. Não localizaram nada. Na margem do valão ficaram marcas recentes de pneus na lama que se acumula no lugar. De longe, moradores da região apenas observavam. O clima era de apreensão e tristeza entre os brigadianos. Comovidos, os policiais militares não quiseram se manifestar. Eles estavam concentrados nas buscas. Chiobatto atua no canil do 17˚ BPM desde 1998. Ele tem um filho e um enteado. O capitão Assis Brasil salientou que o sargento é muito admirado pelos colegas de farda. “Muitos brigadianos estavam de folga, mas vieram ajudar nas buscas”, ressaltou o oficial. “Outros estão dobrando o serviço”, afirmou o chefe do Setor de Inteligência.

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