GAÚCHA: Ex-chefe da BM, Freitas defende a retirada de policiais de presídios

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Principal dificuldade para encerrar força-tarefa nas penitenciárias é a falta de efetivo da Susepe, que tira até 900 brigadianos do policiamento ostensivo

A três dias de deixar o cargo máximo da Brigada Militar no Rio Grande do Sul, o ainda comandante-geral, Alfeu Freitas Moreira, defendeu a retirada dos policiais da guarda interna e externa dos presídios. Em entrevista ao programa Gaúcha Atualidade, o coronel afirmou que a força-tarefa, criada na década de 1990 para conter a crise penitenciária no Estado, “tem que ser extinta”.

— Sou contra a força-tarefa: a Brigada faz (a guarda) em razão de uma ordem governamental e que, hoje, persiste em função da falta de efetivo da Susepe. A força-tarefa tem que ser extinta, e a Brigada tem que sair também da guarda externa dos presídios — avaliou Alfeu.

Atualmente, a principal dificuldade para encerrar a força-tarefa é a falta de efetivo da Superintendência dos Serviços Penintenciários (Susepe). Com o déficit de agentes penitenciários, até 500 brigadianos estão fora do policiamento ostensivo para fazer a segurança do Presídio Central e da Penitenciária Estadual do Jacuí, além de outros 400 policiais que estão cedidos para a guarda externa das casas prisionais gaúchas em todo o Estado. Juntos, os contingentes somam quase 900 PMs que poderiam atuar nas ruas — número que corresponde a 5% do efetivo total de 17.906 brigadianos no Estado.

— Um próprio agente da Susepe tem que fazer (a guarda externa do presídio). O brigadiano é preparado para fazer polícia ostensiva e não para cuidar de preso — afirma.

Diante dos recentes massacres envolvendo apenados no Amazonas, em Roraima e no Rio Grande do Norte, o comandante-geral da BM admite que há “uma preocupação muito grande de que isso não chegue” ao sistema prisional gaúcho. Conforme Freitas, a orientação é reforçar a atenção nas cadeias do Estado.

— Temos diversas facções em ação e existe uma guerra até pela mortandade que aconteceu nesse fim de semana e os vários homicídios que vêm ocorrendo principalmente do Natal para cá. Então, nos preocupa que fatos semelhantes aconteçam e a Brigada está agindo forte na força-tarefa dos presídios para que, aqui no Rio Grande do Sul, a gente não tenha essa barbárie que aconteceu em outros Estados.

Sucessão

O coronel Alfeu Freitas Moreira seguirá no comando da Brigada Militar até o final do expediente da próxima quarta-feira. Aos 52 anos — 35 deles dedicados ao serviço militar —, o comandante já ocupou também o subcomando e o Estado-Maior da corporação. Ele será substituído pelo atual subcomandante, Andreis Dal’Lago.

GAÚCHA E ZERO HORA