SERVIDORES NÃO TERÃO DINHEIRO NA CONTA HOJE

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É possível que no final da tarde seja pago o salário para uma pequena parcela de servidores que ganham, líquido, menos de R$ 1 mil. Isso não chega a 10% das matrículas.

GAUCHAZH

Pela primeira vez desde que começaram os atrasos de salário, em agosto de 2015, nenhum servidor do Executivo terá depósito em conta na manhã do último dia útil do mês. A Secretaria da Fazenda distribuiu no final da tarde um breve comunicado dizendo que fará nesta quarta-feira a divulgação sobre os procedimentos em relação ao pagamento da folha deste mês aos servidores vinculados ao Poder Executivo.

O único pagamento assegurado é o da 10ª parcela do 13º salário de 2017, que consome R$ 110 milhões, mas, como a maioria dos servidores tomou empréstimo no Banrisul no ano passado, o dinheiro vai automaticamente para o banco.

É possível que no final da tarde seja pago o salário para uma pequena parcela de servidores que ganham, líquido, menos de R$ 1 mil. Isso não chega a 10% das matrículas. Nem o depósito para os baixíssimos contracheques está garantido, porque os cofres estão raspados. O pagamento vai depender de outros poderes deixarem alguma coisa no caixa único ou da entrada de recursos do programa de quitação de débitos fiscais com precatórios (uma parte é paga em dinheiro). Não se pode descartar a possibilidade de que nenhum servidor venha a receber o salário de outubro nesta quarta.

As más notícias não param por aí. Entre os dias 1º e 9 de cada mês, não entra dinheiro de impostos. E, como o dia 9 cai numa sexta-feira, a perspectiva é de o primeiro pagamento significativo ocorrer somente a partir de 12 de novembro. Nesse ritmo, a folha de outubro deve emendar com a de novembro.

A situação das finanças fica mais crítica a cada mês. O salário de setembro terminou de ser pago no dia 25 de outubro. Da arrecadação dos dias seguintes, o governo usou R$ 340 milhões para repassar o duodécimo dos outros poderes e R$ 170 milhões para quitar os empréstimos consignados. As prefeituras receberam somente R$ 40 milhões para a saúde.

Em janeiro, quando tomar posse, Eduardo Leite herdará uma conta bilionária. Além do 13º salário e da maior parte da folha de dezembro dos servidores do Executivo, há fornecedores com mais de três meses de atraso nos pagamentos.

Reeleito para o terceiro mandato, o deputado petista Luiz Fernando Mainardi utilizou a tribuna da Assembleia, ontem, para sinalizar a disposição para dialogar com o governador eleito Eduardo Leite.

Mainardi não concorda com o plano de governo do vencedor da eleição, mas afirmou que o tucano assumiu compromissos fundamentais, como a “defesa intransigente dos direitos humanos”, o compromisso público de não privatizar o Banrisul e a Corsan, o pagamento em dia do funcionalismo e a aposta no crescimento econômico para o aumento das receitas:

– Trabalharei para que estes pontos possam ser a base de uma ponte e não de um muro em nosso exercício político de oposição. Essa migração (de votos dados ao PT no primeiro turno para o PSDB no segundo) em nada tem a ver com uma adesão ao programa (de Leite), embora existam pontos em comum que poderão fazer parte de um amplo diálogo.

Enquanto Mainardi falava, sua colega Stela Farias, que não se reelegeu, fazia gestos dando a entender que era a posição pessoal do líder da bancada.

A manifestação do deputado petista surpreendeu os colegas acostumados à oposição implacável do PT.

– Em 20 anos de Assembleia, nunca vi uma manifestação dessas com interesse de diálogo vinda da oposição – constatou Frederico Antunes (PP). ACENO PARA O DIÁLOGO

ROSANE DE OLIVEIRA