Cavaleiros, centauros, heróis: conheça a história dos Abas Largas, patrulheiros gaúchos que viraram filme e HQ

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Tenente-coronel Haroldo Medina, pesquisador da história da Brigada Militar
Alfonso Abrahan / Arquivo Pessoal

Conhecidos pelo policiamento montado, eles conquistaram a confiança do povo gaúcho pela coragem no combate ao crime, que os transformou em personagens de histórias em quadrinhos

GAUCHAZH

O Aba Larga surgiu no Rio Grande do Sul em 1955, no Comando-Geral da Brigada Militar do coronel Ildefonso Pereira de Albuquerque, empossado no cargo pelo governador Ildo Meneghetti. O Comando da BM escolheu o Primeiro Regimento de Cavalaria da corporação policial militar gaúcha para ser a sede do novo Regimento de Polícia Rural Montada.

Em pouco tempo, o regimento dos Abas Largas ganhou notoriedade em todo o Estado, conquistando a confiança e a admiração do povo gaúcho pela postura dos seus policiais, imbuídos da missão de fazer o patrulhamento montado, em zonas rurais, combatendo crimes, principalmente o abigeato.

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Propaganda do longa-metragem de 1962 sobre os Abas LargasNão se aplica / Reprodução

O garbo dos cavaleiros e suas atitudes de cortesia e coragem demonstradas no exercício do policiamento ostensivo nos campos rio-grandenses, em 1962, transformaram os policiais em personagens de histórias em quadrinhos criadas por Getúlio Delphino. As histórias desenhadas por Delphino elevaram ainda mais o moral da tropa do Primeiro Regimento de Cavalaria da Brigada Militar, e seus integrantes passaram a ser vistos como heróis dos gaúchos.

Cavalgando pelos campos do Rio Grande do Sul, os Abas Largas eram acolhidos pelas famílias que moravam na planície isolada. Era difícil convencê-los a pernoitarem na casa dos patrões da propriedade. Homens simples, de origem humilde, preferiam os galpões, o mate amargo, a panela de ferro sobre o fogo de chão, cozinhando um carreteiro em companhia um do outro e dos seus cavalos, fiéis companheiros de estrada.

Até mesmo um filme foi rodado, em 1962, tendo como tema o trabalho dos Abas Largas. Produzido por Paulo Amaral, cineasta carioca, o longa da Lupa Filmes, dirigido por Sanin Cherques, está na Cinemateca Brasileira de São Paulo.

A denominação Aba Larga é derivada da aba do chapéu adotado para diferenciar a unidade criada a partir de um regimento de cavalaria. O chapéu é importante na composição do vestuário, pois é concebido justamente para proteger a cabeça e o rosto das intempéries: chuva e sol, vento e calor. O aba larga usado pela BM é fabricado em feltro.

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Capa da revista nº 3 HQ dos Abas LargasNão se aplica / Reprodução

Os Abas Largas eram temidos pelos bandidos. Os ladrões de gado tinham pavor deles, pois sabiam que, se topassem com eles, era prisão na certa.

Os Abas Largas foram inspirados na Polícia Real Montada do Canadá, policiais de renome e fama internacional. Ética e honra, combinados com formação e treinamento, tornaram os policiais canadenses agentes da lei com credibilidade popular, similar àquela alcançada pelos Corpos de Bombeiros.

Salvando vidas, combatendo criminosos, socorrendo gente acometida por doenças ou flagelada, os Abas Largas, na sua constituição, combinando homem e cavalo, tornaram-se centauros ungidos para servir e defender o povo.