20 anos de PROERD

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Foi um começo difícil, só os Proerdianos sabem. Teve até juiz que, lá no final dos anos 90, se manifestou contra a implantação do PROERD – Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência – no país. Houve quem o chamasse de “manual da delinquência”. No Rio de Janeiro, então, parece piada, não fosse o pitoresco registro da História: berço da maior guerra protagonizada por traficantes, palco preferido pelo caos das drogas e da violência, autoridades cariocas (quase sempre omissas, quando não cúmplices) levantaram sua voz indignada contra o programa oferecido pela Polícia Militar. E não estavam sós: em Brasília, o extinto Conselho Nacional de Entorpecentes, à época deu parecer desfavorável ao seu ingresso nas escolas brasileiras. E se ouviu de tudo para atacar o programa. De argumentos como o de que um policial em sala de aula intimida, ameaça e etc., ao simples “não se deve falar nisso para não despertar curiosidade”. Como se ainda estivéssemos na Idade Média, protegendo segredos sob sepulcros, e não soubéssemos, de cátedra, que não há inimigo mais traiçoeiro que a desinformação.

Pois mesmo com a resistência inicial, ouso dizer que, duas décadas depois, o PROERD só não é unanimidade porque, é claro, o mercado da droga – e das mortes de  jovens e crianças a prestação por elas patrocinada – ainda dá lucro pra muita gente. Inclusive gente com poder, infelizmente. Mas o acerto e eficácia do programa se revelaram rapidamente incontestáveis.

No Rio Grande do Sul, o PROERD completou, em 2018, 20 anos de existência. Mais de um milhão de gaúchos conheceram as lições do simpático leãozinho que, talvez, seja o ícone de bons significados mais conhecido pela população brasileira que nasceu após os anos 90, e por seus pais e professores. Eu diria que o Leão do Proerd é tão popular quanto o Mickey ou os supers da Marvel. E olha que o marketing dele tem, como seu maior investidor, o coração e a esperança persistente de quem sonha com dias melhores para os nossos filhos.

Mas o PROERD evolui, se reciclar, se adapta aos novos tempos e ao conhecimento, cada vez mais amplo e fundamental. Este ano, na minha cidade, a formatura será humilde. Essa carência de efetivo policial que vivemos no RS, infelizmente deixou apenas uma PM como instrutora por aqui. Mesmo assim ela, dividindo seu tempo entre cumprir escalas diversas de serviço e sua rotina de profissional e mãe, conseguiu trazer dezenas de pequenos formandos para uma festa linda, que acontece nesta quarta. Cada um deles ganhará um livro de literatura juvenil que fala sobre escolhas e consequências. É o  presente que eu, pessoalmente, posso oferecer para contribuir nesta construção. A gente renuncia a muita coisa e se desdobra. Porque acredita. Depois disso, a bola está com eles para construir um mundo melhor. Já saberão o caminho.

Oscar Bessi Correio do Povo