GAUCHAZH: “Ele deu a chance para os bandidos se entregarem”, diz tenente que estava ao lado de PM morto por criminosos

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Soldado Lermen (com lenço na mão), que estava com o PM morto, ao lado do comandante da BM, coronel Ikeda (de óculos)Lauro Alves / Agencia RBS

Oficial e soldado estavam com Fabiano Lunkes quando ele foi atingido por tiro de fuzil em confronto com assaltantes de banco

Dois policiais militares estavam com o soldado Fabiano Lunkes, 34 anos, quando ele foi alvejado e morto pelos ladrões que assaltaram banco em Porto Xavier e fugiram em direção a Campina das Missões e Porto Lucena. Um deles era o tenente Vanderlei Menin. O oficial conta que os três integravam o segundo cinturão do cerco, mais afastado da mata onde acredita-se que o bando ainda esteja refugiado.

— Era uma noite muito escura. Não se via quase nada. Só se ouvia cães latindo e quero-quero fazendo barulho. Fizemos patrulhamento, mas não avistamos nada — conta.

A outra PM que acompanhava Menin e Lunkes era a soldado Lermen, muito abalada e amparada diversas vezes por colegas na manhã desta sexta-feira (26) durante o velório. Ela não teve condições de falar com a reportagem.

Segundo o tenente Menin, passava das 3h quando Lunkes avistou a silhueta de duas pessoas caminhando no alto de um morro com o céu ao fundo. Foi feito contato via radio para não haver dúvidas de que não se tratava de PMs caminhando. A BM começou então novo cerco nesta área de cerca de 75 metros quadrados. Os criminosos estavam encurralados, e a BM iria esperar o amanhecer para capturá-los.

No deslocamento dos policiais para isolar totalmente a área, Lunkes deparou com os assaltantes em um buraco. Acendeu a lanterna contra o rosto dos dois e os viu com os fuzis mirados para si. O militar portava a mesma arma. Ordenou que as abaixassem, mas não teve a resposta esperada.

— Não sabemos quem atirou primeiro. Mas sabemos que a BM deu mais de 70 tiros e feriu um deles — garante o oficial.

Quando perceberam o ferimento no colega, os PMs perguntaram se estava tudo bem. A resposta foi um desesperador “não”.

— Foi sua última palavra. Depois, manteve-se calado. Ficou inconsciente logo — lembra o tenente.


Policias militares compareceram ao velório e enterro do colega nesta sexta-feira, no NoroesteLauro Alves / Agencia RBS

— Ele deu a chance para os bandidos se entregarem. Seguiu todos os protocolos de ação. E ainda nos salvou ao estragar o fuzil dos criminosos.

A arma dos assaltantes foi encontrada na mata com um tiro que a deixou inoperante.

MARCELO KERVALT De Cerro Largo