Pesquisa inédita detalha perfil da tropa da Brigada Militar

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Dados obtidos fazem parte do 1º Censo realizado pela Instituição

Considerado extremamente importante e com resultados satisfatórios, os dados quantitativos do 1º Censo da Brigada Militar foram finalizados. O estudo, pioneiro entre as Polícias Militares do Brasil, teve como objetivo conhecer o perfil da família Brigadiana, a fim de fomentar e induzir políticas públicas e assistenciais para melhoria das condições de trabalho, qualidade de vida e valorização profissional. Ao todo, 17.952 pessoas participaram da pesquisa, o que corresponde a 100% do contingente da Corporação.

Para a realização, o projeto foi dividido em três partes, seguindo um sistema censitário, com metodologia semelhante à do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A primeira, para tratar do desenvolvimento do estudo e métodos de aplicação. Após, coletas de informações foram realizadas em todos os quartéis da Brigada Militar no estado, entre os dias 1º de setembro e 23 de outubro. Por fim, uma análise criteriosa das respostas foi executada.

“O 1º Censo da Brigada Militar surge da imperiosa demanda de termos dados confiáveis sobre os recursos humanos, muito além dos números. Ultrapassa as questões quantitativas e abarca informações familiares, socioeconômicas, de vitimização, vulnerabilidade e, sobretudo, das necessidades da tropa”, ressaltou o Diretor Administrativo Interino e responsável pelo desenvolvimento do projeto, Tenente-Coronel Márcio de Azevedo Gonçalves.

Seguindo na mesma linha, o Comandante-Geral da Brigada Militar, Coronel Rodrigo Mohr Picon, também enfatizou o trabalho realizado pelo Departamento Administrativo da Instituição, destacando-o como fundamental.

“Ninguém pode se denominar Comandante se não conhece a sua tropa, se não sabe de suas necessidades, se não dialoga. O 1º Censo da Brigada Militar foi justamente o meio encontrado para conhecer os quase 18 mil servidores sob meu comando. O Departamento Administrativo da Brigada Militar, sob direção do Tenente-Coronel Gonçalves, realizou esse trabalho trazendo à tona quem é a nossa tropa, o que pensa, o que carece, nos indicando quais os caminhos que devemos tomar para oferecer o melhor para esses homens e mulheres que diariamente arriscam suas vidas na proteção da sociedade gaúcha”, pontuou.

Dados obtidos

De acordo com a análise, 84% da tropa é composta por homens e outros 16% por mulheres. Destes quase 18 mil integrantes, 80,1% se autodeclararam brancos, enquanto 19,7% disseram ser negros ou pardos (média superior se comparado à formação da população negra no Rio Grande do Sul, que é de 17,3%, segundo aponta o IBGE). O restante, 0,2%, foi dividido entre amarelo e indígena (0,1% para cada). Outro dado relevante é que a Brigada Militar não tem somente gaúchos em sua Corporação. Conforme o estudo, 5% são naturais de outros estados, como Amazonas, Bahia, Rio de Janeiro etc – o que representa cerca de 900 pessoas.

 Em relação ao contentamento com a Instituição, a grande maioria disse estar satisfeita com a jornada de trabalho (74,6%), assim como com o salário recebido (54%). No entanto, um total de 77% dos respondentes expressaram-se como insatisfeitos ou muito insatisfeitos quanto ao plano de carreira atual. Ainda assim, o índice de reconhecimento da Brigada Militar segue alto, com 11.282 (63%) servidores afirmando se sentirem valorizados.

O estudo também abordou o vínculo dos Policiais Militares e servidores civis da Instituição. A grande maioria do contingente é de Soldado (12.385), seguido por 2º Sargento (1.814) e Soldado-Aluno (893). Os resultados da análise também revelaram que 67% da tropa possui menos de 15 anos de serviço e que 77% pretendem seguir atuando futuramente na Brigada Militar.

Entre os dados analisados, a pesquisa ainda se certificou da parte operacional de seus integrantes. Para isso, os questionou quanto às situações delicadas no ambiente de trabalho. Cerca de 6.894 (38,4%) afirmaram ter sofrido agressão física e/ou psicológica durante o serviço ou na folga. Outros 9.753 (54,8%) também disseram já ter sido vítimas de ameaças enquanto realizavam funções militares ou no período de descanso. Além disso, mais da metade da tropa (56,2%) já se envolveu em confronto armado, mas somente 46,5% foram feridos durante o atendimento de alguma ocorrência.

“Não buscamos apenas elogios, queríamos sobretudo as críticas. Elas nos fazem olhar para dentro e quando analisadas de forma madura, nos fazem crescer. Temos que trabalhar, melhorar, ouvir as pessoas, ouvir especialistas e a sociedade. O que nos resta agora é estudar o censo, entender nossas forças, mitigar nossas fraquezas, ouvir cada vez mais os brigadianos e em ato contínuo, propor, fomentar e induzir políticas públicas de valorização profissional e melhoria da qualidade de vida”, conclui o Tenente-Coronel.

Agora, em decorrência do estudo realizado, a Brigada Militar irá analisar os dados, publicar a pesquisa qualitativa e integrá-los com o RHE (Recursos Humanos do Estado do Rio Grande do Sul). Por fim, a Instituição ainda tem a ideia de desenvolver, seguindo os mesmos padrões utilizados nesta edição do projeto, o Censo do efetivo da Reserva Remunerada, que buscará integração com a prova de vida anual.

Fonte: Brigada Militar

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