Paulo Sant'ana: Pare de infelicitar os outros

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Quem nos faz infeliz?

Ninguém tem o direito de tornar os outros infelizes.

A minha felicidade, de alguma forma, eu tenho a chance de construí-la, mas ela não pode ser destruída pelos outros. Se isso acontecer, está se verificando um desastre.

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Há pessoas que tornam outrem infeliz sem consciência do dano tremendo que causam ao alvo do seu ataque.

Mas, muitas vezes, quem faz outra pessoa infeliz o faz por crueldade.

Eu não gosto de me fixar muito na maldade, ela é uma doença de quem a pratica.

Quero, no entanto, me fixar em quem infelicita os outros não tendo consciência disso.

Esse fato é muito frequente nas relações humanas.

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Quero dirigir minha palavra para os chefes e para os que de alguma forma exercitam liderança no emprego, na família, em qualquer agrupamento social.

É muito difícil e delicado ser chefe ou líder. O centro dessa dificuldade é que o chefe tem o dever de respeitar a remota soberania dos seus liderados.

Deve auscultar a capacidade criativa e construtiva dos liderados e não permitir que ela seja desperdiçada. Quando isso acontece, o chefe está tornando infeliz o seu chefiado.

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Eu diria que a melhor virtude de um chefe, de um líder, é tanto saber interpretar o silêncio dos seus liderados quanto fazê-los por alguma forma menos silenciosos. O chefe tem o dever de demonstrar a sensibilidade de permitir o desabafo dos seus chefiados.

A relação entre o chefe e o chefiado jamais poderá ser presidida pelo silêncio. Se o for, estará cavado o abismo. E o que me interessa é que esse abismo significa diretamente a infelicidade completa e lamentável do chefiado.

O pior é quando o chefe faz desse silêncio o seu método.

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A fonte de infelicidade de uma pessoa não pode ser seu pai ou sua mãe.

Pai e mãe nasceram para fazer felizes os seus filhos, não há trauma maior na vida de uma pessoa que ser infelicitada por seu pai ou por sua mãe. Esse é um desastre tão imenso e, na maioria das vezes, irreparável quanto o de uma pessoa ser infelicitada por seu filho ou por sua filha.

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A vida consiste também em ter-se a habilidade e a arte de não infelicitar os outros.

Não temos o direito de infelicitar ninguém. Só temos o direito de infelicitar a nós próprios.

Deus nos livre da sorte de infelicitarmos os outros.

E o pior é quando nas últimas contas, sem nos darmos conta, estamos infelicitando os outros no afã da nossa própria felicidade.

Cuidado, examine bem a vida que está vivendo e procure notar se você está infelicitando alguém. Se isso estiver ocorrendo, salde essa dívida com o seu infelicitado.

Há sempre tempo para parar de infelicitar os outros.

ZERO HORA