Folha: Por aumento de salário, polícia do RS ameaça suspender serviços

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Em meio à piora de alguns indicadores de violência no Rio Grande do Sul, o governo de Tarso Genro (PT) enfrenta a radicalização de protestos da polícia e a ameaça de suspensão de serviços básicos.

A Associação de Delegados do Estado anunciou que, em protesto por aumento, vai suspender operações especiais, como a de verão, e aulas na academia de polícia.

Os delegados ainda farão uma operação-padrão, deixando de fazer horas extras, e cogitam deixar vagos cargos de confiança no Estado.

Para piorar o quadro, também há ameaças na Brigada Militar gaúcha (equivalente à PM de outros Estados): cerca de 950 policiais falam em pedir aposentadoria se o governo não pagar gratificação por permanência na ativa.

Não é a primeira vez que o governo Tarso encara dificuldades na área: entre agosto e setembro, os brigadistas fizeram barricadas com fogo em estradas e até deixaram falsas bombas em Porto Alegre.

O governo propôs reajuste de 23% para o baixo escalão, o que dividiu a categoria e foi o fim dos protestos.

Já a relação com delegados piorou na semana passada, após um grupo deles criticar o secretário da Segurança por meio do microblog Twitter.

Eles pedem a equiparação dos salários com os dos procuradores do Estado, o que daria um reajuste de 100%.

O governo argumenta que o gasto adicional ao ano para isso seria de R$ 101 milhões e ofereceu reajuste parcelado de 10%, que não foi aceito.

MENOS OPERAÇÕES

Porto Alegre tem uma das maiores taxas de homicídio entre capitais, segundo o Mapa da Violência divulgado neste ano. Até setembro, foram registrados mais assassinatos do que no mesmo período de 2010. No Estado, o número de latrocínios e sequestros também subiu.

A Polícia Civil informou que houve redução no número de operações nas últimas semanas, mas ainda não há reflexos no atendimento.

A Secretaria da Segurança diz que a questão do beneficio à Brigada Militar está resolvida e que a tendência é que o Estado e Porto Alegre fechem o ano com menos homicídios do que em 2010.

Folha.com