Na Brigada Militar, há grupos, inclusive de amigos meus, que consideram a emancipação do Corpo de Bombeiros como um pesadelo

Sem ter ideias definitivas, que são próprias de donos da verdade, posição nunca assumida por este humilde marquês, que não se cansa de catar fragmentos de sabedoria alheia na tentativa de enriquecer a modesta torre que me serve de morada, defendo há algumas décadas que bombeiro não é policial. Evidentemente que esta tese não é de minha exclusividade, pois são muitos os cidadãos, inclusive brigadianos, que assim pensam. Tal tema segue até mesmo uma tendência nacional na busca verdadeira da excelência na prestação de serviços à população. É verdade que na Brigada Militar há grupos, inclusive de amigos meus, que consideram a emancipação do Corpo de Bombeiros como um pesadelo, um tabu, um assunto que deveria ser proibido. Atrevo-me a dizer, no entanto, que não pode haver tabu no serviço público, cujos organismos devem se transformar e evoluir no sentido de atender, com máxima eficiência, as exigências de toda a sociedade e não de grupos isolados. Dentro desta moldura, sigam-me:

 

Copa cabeça

 

Não poucas cabeças do poder público e, é claro, muitas da segurança pública, sofreram abalos positivos e negativos provocados pela Copa. Querem mudar tudo, não só os estádios, mas também as avenidas, soltar presidiários, mudar o fardamento dos brigadianos, maquiar as policiais, proibir carroças e carros antigos de circularem, calar a boca de alguns jornalistas inconvenientes, tirar o ar condicionado dos ônibus, transferir o sambódromo para uma área mais distante, liberar totalmente a Praça da Matriz para flanelinhas, fechar os bares a meia-noite e sonhos outros. Diante de tudo isso, não há melhor momento para falar na emancipação do Corpo de Bombeiros, que não deve ficar atrelado às agruras do policiamento ostensivo. Os bombeiros devem ter orçamento próprio, helicópteros e pilotos exclusivos, escola de bombeiros civis voluntários, alojamentos dignos. Claro que o tema não se esgota nestas linhas, mas como a Copa é inevitável, ela deve ser uma alavanca para que uma nova e civilista mentalidade sobre os bombeiros seja implantada

Fonte: Wanderley Soares – Jornal O Sul

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Postado por Comunicação DEE ASSTBM

O Sul

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