ZERO HORA: Reforço policial garantiu segurança no julgamento de Lula

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Ausência de grandes distúrbios foi conquistada mediante uso de mais de mil PMs por terra, água e ar, além de policiais civis e federais de prontidão

HUMBERTO TREZZI

Houve quem reclamasse de exagero na suspensão das férias de PMs para reforçar a segurança em Porto Alegre no julgamento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Houve críticas no Interior à cedência de seus policiais para atuarem na Capital, durante o conturbado período de manifestações contra e pró-réu da Lava-Jato. Houve quem achasse demais colocar tantos policiais nas ruas, mais que o dobro do existente em dias normais. Até pessoal de setores administrativos foi convocado para patrulhamento.

Mas o certo é que Porto Alegre talvez nunca tenha estado tão segura como nos últimos dias. Comparativo, somente, na época da Copa do Mundo de 2014, quando também foram deslocados PMs do Interior para reforçar a Capital.

As polícias Civil e Federal também mantiveram prontidão, assim como o Exército. Excesso? De maneira alguma. Um dos princípios basilares de qualquer doutrina de segurança pública é a supremacia. As forças encarregadas de manter a ordem são orientadas a ter três vezes mais efetivo que os alvos, na hora de efetuar prisões ou prevenir distúrbios. Nem sempre isso é possível, mas nunca é demais tentar.

Lamentos aconteceriam se algum confronto nas ruas resultasse em feridos ou, vade retro, mortos. E combustível retórico havia dos dois lados. Não foram poucos os vídeos em whatsapp convocando para uma espécie de “embate final” em Porto Alegre, uma batalha dos bons contra os maus – sendo que cada lado, pró ou contra Lula, considerava sua a razão para uma espécie de ira divina. Lógico que dos dois lados também se levantaram vozes moderadas, pedindo calma e respeito a qualquer decisão judicial.

Foi o que aconteceu, ao final. Pouco mais de 20 jovens foram presos em flagrante por queima de pneus em protestos e portarem galões de combustível. Situação desagradável, lógico. Mas não fosse a presença ostensiva de policiais em cada esquina importante da área central e principais bairros de Porto Alegre, talvez o resultado fosse muito pior.