Comandante-Geral: Que Polícia queremos para a nossa sociedade?

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CORREIO DO POVO: Artigo do Coronel Cláudio dos Santos Feoli, Comandante Geral da Brigada Militar

O recente confronto ocorrido na zona norte de Porto Alegre, envolvendo integrantes da Brigada Militar e criminosos fortemente armados, pode surpreender os desavisados, mas não os profissionais da Segurança Pública. A madrugada de quinta-feira, 21 de julho, foi só mais um capítulo infelizmente escrito a sangue no cotidiano de uma sociedade que precisa, de uma vez por todas, se dar conta de sua própria realidade e tomar decisões. Criminosos com forte aparato bélico, incluindo armas de grosso calibre, cooptados por ciclos lucrativos de crime e violência, são cada vez mais comuns. Grupos rivais se organizam, se armam e se articulam a todo momento. Mesmo assim, na contramão do que poderia se esperar, os índices de crimes violentos seguem em declínio e isso só se dá graças ao trabalho contínuo, ininterrupto e incansável das Polícias.

Foi com este trabalho que, numa ação rápida e com inteligência policial, a Brigada Militar frustrou uma ação que certamente acabaria numa série de execuções na capital gaúcha. E sabemos o alto preço que pagam muitos inocentes quando batalhas entre grupos criminosos rivais acontecem. Invariavelmente, temos crianças atingidas, motoristas alvejados para que seus veículos sejam usados nas fugas, prejuízos no transporte coletivo e muito mais. Tudo isso já vimos por aqui, é realidade. É o que a Brigada Militar previne, enfrenta, e vence, todos os dias, nas ruas, numa batalha sem fim que envolve gestão, estratégia, conhecimento e muita coragem. Cabe, aqui, enaltecer a ação dos policiais militares neste episódio, sua bravura, iniciativa e preparo. Um policial tem frações de segundos para tomar a decisão acertada em confronto. Não tem ao seu lado o tempo das pesquisas em livros e reflexões em salas confortáveis que outros profissionais têm. Se vacilar, no próximo instante poderá estar morto. E que Deus proteja nosso companheiro de farda que, infelizmente, no cumprimento do seu dever, foi baleado com gravidade. Sua família biológica e sua família brigadiana têm muito orgulho da sua ação e querem-no bem, querem-no conosco e por muito tempo.

Na carona deste novo episódio, vem a necessária e urgente reflexão que a sociedade precisa fazer: que tipo de Polícia nós queremos? Que tipo de atuação policial precisamos? Os criminosos estão aí, bem armados, inescrupulosos e dispostos a matar por seus lucros ilícitos. Será que uma Polícia engessada, de mãos amarradas por interpretações pessoais das leis, sem autoridade para abordar e se antecipar, é o que pode preservar nossas vidas? Um dos criminosos envolvidos já tinha nada menos do que sete homicídios. Será que essas biografias assassinas estão sendo avaliadas com um olhar de proteção ao cidadão que pede por um mínimo de paz e segurança? Não está na hora de acabar com o triste paradigma de que a Polícia só enxuga gelo nesse “prende e solta” diário? Queremos dias de apreensão ou de tranquilidade afinal? A Brigada Militar não irá parar jamais. A Segurança Pública nunca descansa. É o mínimo que podemos fazer. É dever e ética, mesmo com o risco da própria vida. Só precisamos de mais gente ao nosso lado para defender a cidadania e a liberdade de todos.

Foto: divulgação BM